O Espadachim de Carvão

O Espadachim de Carvão - Capa

O Espadachim de Carvão – Capa

Sabe quando você escuta falar de um livro, lê sobre ele, ouve pessoas que tem opiniões parecidas com as suas falando bem e nunca que chega “a hora” de ler o livro?

Pois é, quem nunca passou por isso? Digo que já passei por isso mais de uma vez, ainda passo e estou longe de me livrar disso.

E quando chega a hora de ler o livro? A expectativa gerada, aquela dúvida se o livro é realmente tão bom quanto falaram ou se eu vou me decepcionar…

Já diziam os sábios sei lá da onde que a expectativa é a mãe de todas as decepções.. e ainda bem que esse livro não me decepcionou!

Enganei todo mundo vai.. ou não.. enfim, vamos à resenha.

O Espadachim de Carvão é o primeiro livro de Affonso Solano e foi lançado pela Fantasy – Casa da Palavra que é um braço da Editora Leya no Brasil.

Aqui cabe um comentário, como é legal ver uma editora grande investindo na literatura fantástica nacional, tem muita coisa legal por ai que, talvez, não tivesse chance e que agora vê uma luz no fim do túnel.

Voltando ao livro. Nessa peça somos apresentados à Adapak, um jovem com 19 ciclos de idade (eles não contam anos, contam ciclos) e uma aparência bem peculiar, ele tem a pele completamente negra, não tem nariz e não tem orelhas.

[Update] Ele não tem o nariz e a orelha mas ele tem as cavidades do nariz e da orelha, então ele tem como respirar e ouvir! hehe

Mas as estranhezas do nosso jovem não acabam por ai. Adapak é filho de Enk-när, um dos quatro deuses que foram os responsáveis pela formação atual de Kurgala e que se refugiaram em 4 casas espalhadas pelo mundo.

Logo no começo do livro somos apresentados a esse personagem que é muito inteligente porém muito inocente pois viveu durante praticamente sua vida toda na ilha que é a casa de seu pai.

Nessa ilha nosso protagonista lia muito e aprendeu praticamente tudo o que se pode aprender com livros. Até aprendeu a lutar e dominar a técnica dos Círculos Tibaul com um professor que foi chamado à ilha pelo seu pai.

Porém, essa ilha é invadida e a história se desenrola a partir dai com a narrativa se dividindo em tempo presente e flashbacks de forma alternada.

O filete de luz atingiu as pálpebras de Adapak, alfinetando-lhe a consciência. Ele desviou o rosto da fresta por onde a lua espiava, piscando enquanto a memória o informava da sua situação.

Bosta.

Adormecera. O espadachim amaldiçoou o corpo cansado e girou a cabeça cuidadosamente para os lados, sentindo a dor lhe escorregar pela coluna vertebral, punindo-o pelo descuido. Tinha cometido um erro grave.

Esse texto acima é o primeiro capítulo do livro e ele já nos mostra o tom que vai ser usado durante os capítulos que se passam no presente.

A história é muito interessante, o mundo que nos é apresentado é bem curioso e me fez querer descobrir mais sobre ele, viver mais histórias ali, conhecer a vida das outras pessoas. Mais ou menos o que aconteceu quando eu li Morte Súbita – que tem resenha aqui!

Isso pra mim é um bom caminho para me fazer gostar do livro.

Outra coisa que ajuda é que o jeito de escrever do autor é muito fluído, usando uma linguagem fácil e direta sendo que os únicos momentos que me causavam uma certa travada era quando tinha algum nome próprio ou algo assim de alguma raça específica.

Aqui entra a minha reclamação do livro. Em vários momentos eu fiquei perdido no meio de tantas raças e seres novos, senti que faltou, talvez, um pouco mais de apresentação dessas raças.

O mesmo não vale para os lugares em que Adapak se encontra, a descrição realmente me fez imaginar e me sentir ali ao lado do protagonista enquanto a cena acontecia.

Recomendo muito esse livro, ele não é muito longo (li ele em 4 dias sendo um final de semana e, por incrível que pareça, leio menos nos finais de semana) com uma leitura rápida e aquele gosto de “quero mais” no final.

Por hoje é só, e até semana que vem!

Título: O Espadachim de Carvão
Número de páginas: 255
Editora: Fantasy – Casa da Palavra
Autor(es): Affonso Solano

Nota:

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